Adaptação: Sherlock Holmes – A Game of Shadows

O Livro
O Problema Final (1893)/A Casa Vazia (1903)


Enquanto a maior parte dos contos de Holmes trazem o detetive resolvendo casos de forma brilhante, esses dois contos não fazem exatamente a mesma coisa.
Em 1893, teoricamente por estar de saco cheio de Holmes fazer mais sucesso do que seus trabalhos mais sérios, Doyle, o autor, assassinou-o. Não de qualquer jeito, claro.
Foi através do gênio do crime organizado Professor Moriarty, arqui-inimigo de Holmes (que por algum motivo nunca havia aparecido em nenhuma história dele antes).
O fato é que, um dia, Holmes aparece na casa de Waston com cara de assustado. Após explicar sobre a pessoa que o perseguia, Holmes parte para a Suíça junto com seu fiel companheiro procurando escapar de seu destino inexorável – e isso não adianta nada, pois, dois dias depois que chegam na aldeiazinha bucólica nos confins suíços, Watson encontra um despenhadeiro vazio e uma carta de Holmes endereçada a ele cuidadosamente colocada embaixo de uma pedra.

 Os leitores se revoltaram.
Doyle recebeu milhares de cartas de senhoras chorosas, jovens exaltados e moças alteradas: como ele pôde? Doyle não deu a mínima e continuou a publicar excelentes livros históricos e aventuras de fição científica.
Mas nem ele pôde ignorar tanto barulho, e em 1902 publicou um livro, O Cão dos Baskervilles, que mostrava Holmes em plena forma, antes da queda nas cataratas de Reichenbach. O público, apesar de ter feito do livro um sucesso, não queria saber de um Sherlock Holmes póstumo e continuou com a pressão.
Em 1903 Holmes voltou com A Casa Vazia.
No conto, um Watson entediado e cheio de saudades de seu falecido amigo continua a ler a coluna policial para ocupar o tempo e tentar resolver os crimes da forma que Holmes costumava.
Um deles chama a sua atenção por se tratar de um jovem da alta sociedade que foi encontrado morto a tiros numa sala com as janelas fechadas e a porta trancada por dentro.
Watson vai até a casa do rapaz para descobrir alguma coisa e tromba com um velho colecionador de livros que insiste em passar na sua casa para falar se desculpar de maneira apropriada.
Não preciso dizer que o colecionador é na verdade Holmes disfarçado, que reaparece com uma história fantástica de ter escalado as Cataratas de Reichenbach na unha para conseguir escapar do terrível professor Moriarty.
Holmes reinou na literatura policial por mais vinte anos.

 O Filme


Sherlock Holmes: A Game of Shadows (2011)
de Guy Ritchie, com Robert Downey Jr, Jude Law, Noomi Rapace, Rachel McAdams, Jared Harris, Stephen Fry, Kelly Reilly

Nessa segunda aventura de Sherlock Holmes levada ao cinema pelo trio competentíssimo Richie-Downey Jr-Law, o excêntrico detetive está convencido de que os atentados por bomba que vêm assolado a Europa são obra de um único homem: o super vilão Professor Moriarty (um excelente Jared Harris).
Com a ajuda de Watson e sua esposa, seu irmão Mycroft e a cigana Simza, que tem um irmão trabalhando para Moriarty, Holmes corre contra o tempo para achar um meio de angariar provas contra o famigerado professor.

A batalha de egos entre Holmes e Watson e Holmes e Moriarty dá gosto de se ver e dá a chance aos atores de fazerem um ótimo trabalho em meio a tantas cenas movimentadas e cheias de efeitos especiais.
Pelo jeito os criadores resolveram dar um tempo no romance e Irene Adler sai de cena; a presença feminina de Noomi Rapace como Simza é bem vinda especialmente por não tirar o foco de Holmes.

Com um roteiro dos melhores (considerando o público alvo), atuações boas e cenas de ação excelentemente coreografadas, Sherlock Holmes: A Game of Shadows traz a certeza de que mais aventuras de Holmes estão por vir.

Filme x Livro
Nesse filme temos elementos que não existiam nos livros – todo a trama paralela com os ciganos foi coisa do filme, assim como os bombardeios. Mas também temos elementos que foram mantidos: Moriarty realmente foi o arqui-inimigo de Holmes, ele realmente tinha um lugar-tenente que era um exímio atirador do exército chamado Sebastian Moran e o combate final entre Moriarty e o detetive realmente aconteceu nas cataratas de Reichenbach.
Holmes tem um irmão chamado Mycroft que é ainda mais inteligente do que ele, e não o palhaço que aparece no filme, mas a participação de Stephen Fry é por demais especial para que eu reclame dela.
A esposa de Watson, como eu já disse, existe e tem mais personalidade no filme. A lua de mel entre os dois, no entanto, nunca é narrada nos livros.
Ao todo, na verdade, achei que o filme fez alterções muito boas. Jamais preferirei a carta seca de Holmes embaixo da pedra à briga mental do jogo de xadres que ocorre entre Holmes e Moriarty no filme.
Assim como no primeiro, achei que se os roteiristas adaptaram Holmes para as novas gerações no cinema, o fizeram de uma forma que manteve o clima da história. Se os personagens mudaram, considerei uma mudança benéfica pelo motivo de que os atores realmente pareciam saber o que fazer e para onde ir, e não estragaram a personalidade básica de pessoas que são tão queridas pra mim.
Se tenho uma objeção a fazer é como Holmes, do cínico depressivo engraçado do filme anterior, virou um neurótico engraçado nesse filme. Acompanha a mudança dos livros por causa do nervosismo de ser alvo de Moriarty, mas achei que o ator exagerou. Mas até aí.
Me diverti imensamente com tanto os livros quanto os filmes, e recomendo os dois.

2 ideias sobre “Adaptação: Sherlock Holmes – A Game of Shadows

  1. Parabéns pelo texto! Gostei de como construiu suas opiniões.
    Como você faz comentários (também) sobre adaptações literárias, gostaria de indicar uma série de TV da BBC chamada Sherlock.
    Além de ser bem produzida e com roteiros interessantes, gostaria de ler uma resenha de alguém que já tenha lido livros do Conan Doyle.

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