Adaptação: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

O Livro

O Senhor dos Anéis – Parte 1: A Sociedade do Anel – J.R.R. Tolkien, 1954

Tolkien já era um escritor mais ou menos famoso quando publicou seu segundo livro e mudou a percepção do que era ‘fantasia’ na literatura.
O livro foi escrito para ser publicado em volume único, mas os editores da época acharam que as muitas páginas desencorajariam os leitores e dividiram a obra em três partes. Seguindo essa lógica, também farei três posts.
A história, se é que ela pode ser resumida em algumas linhas, é a de um grupo de hobbits que se encarrega de destruir a maior arma do Senhor do Mal para salvar o mundo, e nessa tarefa eles recebem ajuda de todos os povos.
O grupo que dá nome ao livro, a sociedade do anel, é composta por quatro hobbits, um elfo, um anão, um mago e dois humanos, os quais farão muitos sacrifícios até que o fim da aventura seja contado.
Contra os companheiros estão todas as forças de Sauron, o Senhor da Escuridão, e muitos outros inimigos que nem sempre servem a ele mas são igualmente terríveis.
Nesse primeiro volume, a história demora a engatar – principalmente se você não tem o hábito de ler – mas se conseguir passar da primeira metade do livro, te garanto que você nunca mais vai querer largá-lo.
A aventura, a fantasia e a ambientação do livro foram adaptados, usados e copiados vezes sem conta, e O Senhor dos Anéis é considerado sem dúvida uma das maiores obras da literatura fantasiosa de todos os tempos.

O Filme 

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, 2001 (de Peter Jackso, com Ian McKellen, Elijah Wood, Viggo Mortensen, Liv Tyler, Orlando Bloom, Sean Bean, Hugo Weaving, Cate Blanchett)

Com elenco mais do que estelar (e muitos dos desconhecidos ganharam fama depois do filme), locações fabulosas na Nova Zelândia e produção primorosa, o filme O Senhor dos Anéis estourou nas bilheterias tanto por causa dos fãs ansiosos quanto por causa dos ‘civis’ que se interessaram pela maior aventura fantástica jamais transposta para as telas.
O filme é um espetáculo longo, no entanto, e já ouvi muitas pessoas reclamando de seu roteiro ‘sem fim’. Saber que a história continuava no filme seguinte não era consolo para todos os que se apaixonaram pelo filme e tiveram que esperar um ano para ver o próximo.
O mundo da Terra Média criou vida diante de nossos olhos, e o filme foi bem recebido pela crítica e pelos espectadores em geral. As poucas mudanças feitas na transposição do livro para o filme receberam algumas críticas de fãs hardcore, o que não impediu que o filme faturasse uma fortuna.
Os heróis do filme são humanos (mesmo sendo meros hobbits), os vilões são assustadores (não estou falando do olho flutuante, ok, mas dos cavaleiros negros) e a tarefa parece intransponível. Mas graças a atuação do elenco e ao roteiro bem amarrado, o filme não deixou nada a desejar em matéria de história, ambientação e atuação. Para quem gosta do gênero, é um prato cheio.
Para quem gosta de dramas realistas, o que você está fazendo aqui?

Livro x Filme

Acontece que eu sou fã hardcore, e então vou falar mesmo. Nada se compara, nesse filme, às heresias cometidas em As Duas Torres (segundo filme da série), mas mesmo assim coisas têm de ser comentadas.

Vamos começar com os hobbits. Não se pode negar que Elijah Wood foi uma escolha perfeita para interpretar Frodo, assim como Sean Astin como Sam.
Enquanto Pippin sempre foi o comic relief no livro, portanto dar esse papel a ele no filme é mais do que apropriado, Merry, no livro, é o pé-no-chão com habilidade para negócios e o responsável do grupo. No entanto, nesse filme ele não é mais do que apoio para as trapalhadas de Pippin, e isso é triste.
Já o Bilbo de Ian Holm brilha durante todos os momentos em que aparece e ficamos tristes por ele ser velho demais para ser O Hobbit original.

Agora aos elfos.
Representando a corte do Rei Elfo de Mirkwood, Legolas faz as garotas suspirarem por suas madeixas sem que elas sequer saibam que ele é um príncipe – imagina se soubessem.
Em Valfenda – para usar a famosa tradução da Lenita – Hugo Weaving faz um bom trabalho como Elrond (especialmente na parte das memórias), por mais que tivéssemos a impressão de que ele ia fazer cara feia e murmurar “Mr. Anderson” a qualquer momento.
Já o amor da vida de Aragorn, Arwen, que mal vemos no livro, faz sua aparição suspirante e sussurrante pela bela Liv Tyler, que obviamente ganhou mais do que as duas falas da personagem no livro por causa de um elemento muito interessante chamando ‘o apelo dos peitos no público masculino’. Na época em que vi o filme pela primeira vez, achei ridícula a participação dela, mas no fim das contas tenho que admitir que a história paralela de Arwen e Aragorn – que no livro não mereceu mais do que um apêndice – complementa bem o filme. 
O ponto fraco dos elfos no filme é infelizmente Lórien. Os fãs ficaram alegres ao saber que a grande Cate Blanchett interpretaria a grande Galadriel, mas no fim das contas não deu nada certo.
Haldir é uma piada, Celeborn parece um ator de peça escolar e a floresta é obviamente uma montagem de isopor. A cena do anel com Galadriel é desnecessária, deixa escapar um detalhe importante da trama e usa efeitos especiais quando o próprio talento da atriz poderia ter sido utilizado.
Lamentável.

Quanto aos humanos, não tenho muito a reclamar. Viggo Mortensen fez um bom trabalho como Aragorn e o Boromir de Sean Bean ficou ainda melhor do que o do livro.
O anão Gimli ficou caricato demais, mas o carisma de John Rhys Davies compensa a falta de personalidade do anão, que só resmunga sobre bebida, comida e lutas.

Quanto à adaptação em si: gente, é um livro de mil páginas. Todos sabíamos que seria impossível transpor tudo para as telas. Algumas das escolhas do primeiro filme, na minha opinião, foram acertadas: nada justifica Tom Bombadil – ponto por terem tirado do filme – e Glorfindel, no correr das coisas, atrapalha a compreensão do cara que assiste – trocá-lo por Arwen deu mais cena para peitos e passamos a respeitar mais a garota que Aragorn escolheu.
Já outras decisões, como fazer com que os Cavaleiros Negros não tivesse visão periférica e mostrar Sauron antes da cena da batalha, estragando a surpresa, são coisas pequenas que só os fãs percebem.
Tudo é compensado pela cena da ponte.

A adaptação para o cinema em sua melhor forma.

5 ideias sobre “Adaptação: O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel

  1. Concordo com a parte da Galadriel. Sobre TODOS da comitiva, eu acho que atuaram de forma excelente e todas as adaptações (mesmo que meio estranhas) caíram muito bem nas telas.

    E também gostei ao tratamento que foi dado à Arwen. Não acho que tenha sido só os peitos que aumentaram a presença dela nos filmes, mas acredito que enriquecer a Arwen enriqueceria também o Aragorn; e foi esse o objetivo! =)

    Boa, Rê!
    Quero ver sua crítica dos outros dois filmes!

  2. Como eu li o livro muitos anos antes de assistir ao filme, não percebi essas alterações.
    Na primeira vez que assisti, me decepcionei um pouco.

    Mas recentemente fiz uma maratona aqui em casa e assisti os três filmes de uma vez só e na versão prolongada!
    Aí adorei! Uma obra prima, com certeza.

    Mas o tempo entre ter assistido nos cinemas e depois em casa, na versão prolongada, foi imenso… Então me diz, faz muita diferença?

  3. Eu achei que a versão prolongada melhorou os filmes, principalmente o segundo. Pra mim, que sou muito fã, deu pra ver a diferença.
    E sim, os filmes melhoram quando são vistos um depois do outro. =D

  4. Ei ei ei!!!!!
    esquecemos de falar o quão perfeitamente fodástico, irrepreensível, imaculado e isento de falhas foi o nosso querido Gandalf..

    Ian McKellen é foda, mas para mim, essa epifania que fez surgir o Gandalf q ele “criou” só pode ser sido obra do divino… seja ele Deus ou o próprio Eru!!!

    de resto, achei o post excelente!!! ainda q eu não concorde com a Arwen fazendo alguma coisa além de carregar uma bandeira e me ressinta de terem tirado o tom bombadill…

    beijo!

    citteri

  5. Concordooooo!!!! Lórien eh MUITO F!#%@*! no livro… cara, cade as arvores douradas e pah… fiquei tisti… sem contar aquela parte q (desculpem não lembro os detalhes, li o livro a anos) q eles se opesdam na casa de um carinha na floresta, show de bola,, pena que não coube no filme 🙁 mas de resto, perfeito! mereceu cada oscar e eu daria MAIS!!!

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