Adaptação: O Noivo da Princesa

O Livro: O Noivo da Princesa, de William Goldman.

É uma pena que esse livro não seja mais editado – ou é? se alguém souber, me avisa! – porque ele é uma obra prima da literatura de sátira.
O autor consegue de forma incrível fazer ao mesmo tempo uma sátira a todos os contos de fadas – com direito a belas mulheres, aventuras incansáveis e vilões malignos – e escrever um excelente livro, com tiradas engraçadíssimas e frases memoráveis.

Em resumo, a história é a de Flor-de-Ouro, a mulher mais linda do mundo, que se apaixona por seu empregado e quando ele morre tentando buscar fortuna jura nunca mais amar novamente e aceita se casar com o chato príncipe Humperdinck.
Na véspera do casamento, no entanto, ela é raptada por um trio de temíveis malfeitores, que planejam assassiná-la e deixá-la na fronteira do país vizinho – aparentemente alguém os pagou para iniciar uma guerra.

A estrutura do livro – o melhor de tudo – é muito interessante: o autor diz que seu pai lia o livro pra ele quando era pequeno, e depois ele descobriu que o livro era muito chato e o pai estava na verdade editando o livro para agradá-lo. Ele então resolve, em homenagem ao pai (e ao filho moleque folgado que não consegue passar do capítulo 1 do livro original), fazer uma “versão com as partes boas” do livro original.
A narrativa do autor é fluida, como numa conversa, e cheia de trocadilhos e expressões.
As partes de que mais gosto são as hitórias de vida de Inigo e Fezzik, dois dos criminosos que raptam a princesa e vão relembrando sua vida enquanto esperam pelo embate com o homem de negro.
Esse livro ficou muito famoso na época do seu lançamento, o que resultou na adaptação para o cinema com roteiro do mesmo autor.

O Filme: A Princesa Prometida (The Princess Bride, 1987. De Rob Reiner, com Cary Elwes, Robin Wright, Fred Savage, Billy Crystal.)

Com roteiro leve e divertido, atores carismáticos e uma competente direção, A Princesa Prometida logo se tornou um discreto clássico, com boas recomendações de público e crítica.

A história é a de Buttercup, que aceita se casar com o príncipe Humperdinck ao saber que seu amado Westley morreu nas mãos de piratas.
Um dia ela é raptada por três malfeitores e tem em seu encalço seu futuro marido e também um misterioso homem de negro.

Os diálogos rápidos, à lá Mel Brooks, são um privilégio do roteirista, responsável também por obras primas como Butch Cassidy e pérolas como Maverick. Os atores estão obviamente se divertindo muito (especialmente Billy Crystal na sua participação especial) e não importa o que você faça, é impossível não se divertir com esse filme.

Livro x Filme
Primeiro que o filme segue quase à risca a história do livro. As mudanças ficam mesmo por parte da narração, que não pode ser copiada. No filme a tentativa até que é feita, já que a história começa com o Kevin dos Anos Incríveis doente e seu avô lendo a história pra ele.
Inclusive a parte em que a princesa é comida por tubarões mas na verdade não é o livro quase palavra por palavra, o que deixa o filme com mais a cara que o livro tem.

Claro que o livro é melhor, já que as melhores partes da história não podem ser reproduzidas no filme (no livro, o “escritor” fala um monte sobre seu filho obeso e sua mulher psiquiatra, e é muito engraçado – no filme trocaram isso pelo Kevin e pelo avô), e toda a história da infância do “autor” fica fora do filme.

Cary Elwes, no filme, está logicamente se divertindo muito, e já mostra porque veio para abalar as comédias dos anos 80/90 (mesmo que agora ele seja rebaixado a papel de vilão cômico em filmes de quinta categoria, ele ainda é engraçado e era maior gatinho); Robin Wright está devidamente linda e burra como Flor-de-Ouro no livro. Mas no livro ela é mais burra.

Quem talvez pudesse sair perdendo eram os “vilões”, Inigo e Fezzik. Enquanto no livro eles têm um capítulo de flashback só pra eles, no filme a história de Inigo é resumida em duas falas e a de Fezzik não é sequer mencionada. Isso não chega a atrapalhar – a luta de espadas de Inigo com o Homem de Negro compensa todo o resto – mas eu gosto da história de Fezzik e da busca de Inigo pelo assassino do pai narrada com mais detalhes.

Outra coisa de que senti falta no filme foi o Zoológico da Morte, que mal aparece. Mas o Albino e a Máquina de Tortura são aterrorizantes o suficente.

Enfim. Poderia listar mil coisas que estão em num e não no outro – e vice versa, como o Billy Crystal – mas o que importa é que o filme conseguiu captar o feeling do livro: é engraçado, empolgante, inteligente e idiota igual e se você gostou de um não tem como não gostar de outro.

Em tempo. Descobri que o filme existia porque uma amiga, que tinha pegado o livro emprestado de mim, ouviu a famosa frase (“My name is Inigo Montya, you killed my father, prepare to die!”) pela janela do vizinho, que estava vendo a sessão da tarde, e me ligou na hora. Daí foi só vasculhas nas locadoras.

Mas infelizmente tanto o livro quanto o filme são difíceis de achar: o livro só em sebo e o filme, com sorte, naquelas promoções de nove e noventa no Extra Supermercados.

Em tempo. Estava vendo coisas na internet para brincar de escrever o post e achei um blog que diz que, dos sete elementos essenciais para uma excelente história, esta tem todos: lutas, algo inesperado, coadjuvantes engraçados, diálogo inteligente, o vilão se dá mal, aventura, romance.
É, faz sentido.

6 ideias sobre “Adaptação: O Noivo da Princesa

  1. Não li o livro nem vi o filme apesar de ter muita vontade (que vergonha, né? Um clássico da Sessão da Tarde desses e eu nunca vi. Tsc, tsc, tsc!). Adorei saber do “por trás das páginas” do autor.

    Diz que vão fazer um remake dele com o diretor de Juno. Provavelmente o livro volte às prateleiras tb.

  2. Comprei e chegou. Estava assistindo na quarta à noite, mas acabei dormindo sentada na frente do PC (marido estava jogando na TV). Aí dei uma pausa, não vi mais. É bom mesmo!

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