Adaptação: Jogos Vorazes – Em Chamas

Bom, e aí veio um surpreendente sucesso da segunda parte da trilogia. Em Chamas teve a maior “abertura” do ano (abertura é quanto o filme rende no primeiro final de semana de estréia) e até a crítica gostou da parada.

Eu, que tive vários problemas com o livro e só fui assistir porque AMO a Jennifer Lawrence, esperava pouco do filme.

Ainda bem.
Porque me diverti muito!

CONTÉM SPOILERS
O principal motivo de eu ter gostado muito do filme foi, claro, a interpretação da atriz principal. Foi ela que me conquistou quando eu assisti o primeiro filme e é ela que leva essa parada nas costas. Quem dera todos os filmes adolescentetes tivessem atores fodas assim!

Um outro motivo para eu ter gostado do filme é que a transposição entre mídias foi MUITO BENÉFICA para a história.

Lembra que eu não gosto de romances melecosos?
Lembra que eu não gosto de protagonistas burras?

O fato de tirarem a narrativa em primeira pessoa e mostrarem vários pontos de vista durante o filme praticamente anularam a chatice da Katniss. No livro ela ficava eternamente de mimimi cada vez que o Peeta se machucava (“oh meu deus preciso salvá-lo”) ou cada vez que o Peeta fazia alguma coisa fofa (“oh meu deus estou me apaixonando”) ou cada vez que alguma coisa era misteriosa (“oh meu deus não sei o que pensar”).

O filme tira todo esse blábláblá e resume tudo em expressões da personagem, que, como já previamente mencionado, está sendo interpretada por uma das melhores atrizes da sua geração. Então, quando o Peeta faz algo fofo, a Katniss olha difenrente pra ele. O espectador nota. = ela está se apaixonando por ele. PRONTO.

As decisões controversas do presidente Snow, que me incomodaram no livro, são mais explicadas pelo roteiro, que coloca um maquiavélico Plutarch por trás de tudo e coloca cenas de diálogos explicativos em vez de parágrafos e parágrafos da Katniss “se perguntando” qual seriam as motivações do Snow. Exemplo: no livro, a Katniss acha que talvez o Snow tenha criado do Quarter Quell para puni-la por ter salvado o Gale dos soldados, mas ela não tem certeza. Ela acha que o Snow inventou que existia o Quarter Quell, mas não tem certeza. Ela acha, ela acha, ela acha.

No filme, aparece o Snow e o Plutarch assistindo a cena dela impedindo um soldado de acabar com o Gale, e os dois conversam e decidem criar uma forma de destruir a invencibilidade dos tributos vencedores.

O problema do filme é o mesmo problema do livro: a história não é lá essas coisas. Temos vários tributos vencedores ninjas que poderiam causar batalhas épicas na arena, mas a história está mais interessada no romance Peeta/Katniss e na Katniss finalmente confiando nas pessoas.
O mundo é uma ditadura eterna e todo mundo tem uma vida de merda, mas não faz sentido nenhum você colocar uma capital mega foda com todo  mundo se matando de comer enquanto o resto da galera passa fome – o resto da galera, diga-se de passagem, que produz a comida que o pessoal da capital come. E não faz sentido nenhum um governo simplesmente destruir toda a extração de uma fonte de energia só porque sim.
Mas, como eu disse, isso é porque o filme teve que ser fiel ao livro, e o livro tem vários problemas.

De qualquer forma, é um filme divertido, interessante, bem bolado e com um roteiro impecável. Os atores estão bem direcionados, o visual é deslumbrante e a história em si não tem muita graça mas cumpre o que promete: um filme de ação/ficção competente que não desaponta e diverte bem.

Para expandir a conversa, tem a minha opinião sobre os livros assim que terminei de ler:
Jogos Vorazes, Em Chamas, A Esperança
Minha opinião sobre o primeiro filme: Adaptação – Jogos Vorazes
E mais um monte de blá-blá-blá: Mais Considerações Sobre Jogos Vorazes.

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