Adaptação: Duna

O Livro:

Duna – Frank Herbert – 1965

Esse primeiro volume da série conta a história de Paul Atreides, do momento em que sai de seu planeta natal em direção ao planeta-deserto Arrakis até o momento em que, anos depois, lidera os fremen, habitantes de Arrakis, numa guerra por independência.
Enquanto isso, o império planetário e a Casa Harkonnen lutam para dominar o planeta Arrakis (único produtor de uma substância que permite a viagem interestelar) e para destruir a família de Paul.
O livro se tornou um dos mais vendidos na ficção científica da história, e foi marcante não só por sua “descrição ecológica” dos planetas envolvidos na ação como também pelos temas de jihad presentes na trama.
Paul Atreides, apesar de ser muito ‘super-herói’ para o meu gosto, é no entanto um personagem bem construído e cheio de medos e imperfeições humanos. Já sua mãe, sua irmã e sua amante são todas personagens femininas de uma complexidade que compensa toda a história de Kwisatz Haderach e do super-homem que virá para salvar todo o universo.
A ambientação do livro, que tem sua ação focada quase que totalmente em Arrakis, é de tirar o fôlego: fica claro que o autor fez extensa pesquisa sobre comunidades desérticas para criar seu mundo.
Enfim, um livro bastante complexo, empolgante e bem escrito que merece toda a fama que tem.
Para quem se interessar, há pelo menos umas quatro continuações escritas pelo autor e mais uma dezena de livros (entre continuações, prequels e outros) escritos pelo filho do autor, além de uma minissérie, videogames e jogos de tabuleiro e RPG.

O Filme:

Duna, 1984 (de David Lynch, com Kyle MacLachlan, Virginia Madsen, Richard Jordan, Sting)

Apesar de David Lynch ser um diretor famoso por suas bizarrices, ele as colocou nos lugares errados nessa adaptação do livro de Frank Herbert. Ficamos certamente chocados e um pouco enojados durante as cenas porquinhas do Barão Harkonnen, e as minhoconas são de fato um espetáculo à parte – lembrando sempre que na década de 80 os efeitos especiais estavam longe do que são hoje e os monstros foram feitos com um stop motion primoroso.
Mas tudo isso seria perdoado (até mesmo Sting sem camisa na cena da lutinha) se não fosse um defeito maior que tudo: o ator principal. MacLachlan pode até ter conseguido uma indicação para o Globo de Ouro mais tarde na carreira, mas nesse seu primeiro trabalho as coisas simplesmente não foram bem. Afinal de contas, para um estreante, o roteiro rocambolesco e os efeitos especiais – que exigiam, entre outras coisas, que ele fingisse estar cavalgando uma minhoca carnívora gigante – faziam com que o trabalho ficasse ainda mais difícil. E ele simplesmente não convence como o super-homem-salvador-do-universo em Duna.
Além disso, o roteiro não ajuda – fica difícil de entender o que está acontecendo, mesmo com a narrativa em off da princesa – e os diálogos menos ainda.
No fim das contas o filme ficou sendo um clássico trash por sua história incompreensível, pelas minhocas gigantes e, claro, pelo Sting de cueca azul royal na cena da lutinha.



Livro x Filme
Frank Herbert elogiou a adaptação de Lynch e disse que “as pessoas vão ver o filme e reconhecer meu livro”.
A crítica e os fãs, no entanto, não gostaram nem um pouco. Disseram que o filme é confuso, que é necessário ler o livro para entender o filme, e que o roteiro do filme desvia totalmente da história do livro.
Eu vou falar que já houve livros mais complexos que chegaram às telas e nem por isso sofreram tanto. E vou falar também que a diversidade dos personagens no livro certamente não foi transposta para o cinema. E vou também acrescentar que os atores do filme devem ter confundido Duna com uma peça de oitava série, de Shakespeare, ainda – só assim para explicar os diálogos monótonos e formais.
Mas a realidade é que todos ficamos vidrados de mais na sunga azul royal para fazermos uma crítica efetiva.

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