Adaptação: Aranhas de Ouro

O Livro:
Aranhas de Ouro, Rex Stout – 1953

Nero Wolfe e Archie andaram brigando por coisa nenhuma, como sempre, e quando um limpador de janelas de farol toca a campainha dizendo ter um caso para o gordo detetive, Archie resolve colocar o garoto pra dentro só para irritar seu chefe.

Entra Peter Drossos, que diz que, quando estava limpando janelas no farol, uma moça dentro de um carro pediu ajuda formando com os lábios as palavras “socorro, chame a polícia”. Drossos é muito esperto e quer dividir a recompensa caso a moça tenha sido morta e a coisa toda se transforme num caso. A moça estava usando brincos de ouro em forma de aranha.

Wolfe a princípio só fala com o garoto para irritar Archie, já que este tinha um compromisso com os amigos e terá de ficar em casa fazendo anotações durante a ‘entrevista’ com o garoto. Os dois levam a coisa na brincadeira, até que Drossos é morto atropelado, aparentemente pelo mesmo carro onde ele havia visto a mulher.

Começa então mais uma das investigações em que Wolfe é levado ao trabalho muito mais pelo seu orgulho do que pela espera de um bom pagamento – afinal, Peter Drossos, além de ser uma criança, comeu biscoitos em seu escritório e era portanto um hóspede. Wolfe não gosta que mexam com seus hóspedes.
Archie, seu secretário e assistente, é enviado, junto com os detetives free-lancers Saul, Orrie e Fred, para descobrir o que há para ser descoberto sobre o estranho caso da moça de brincos de aranha.

Um dos livros satisfatórios do autor, onde o humor e as tiradas inteligentes de Archie complementam uma história bem feita e um final bem amarrado. Um dos melhores do gênero policial.

O Filme:
The Golden Spiders – A Nero Wolfe Mystery (2000)
de Bill Duke, com Timothy Hutton e Maury Chaykin.

Produzida por Timothy Hutton, essa série de TV foi aclamada por crítica e público. O primeiro episódio, piloto, foi a adaptação do livro de Rex Stout “Aranhas de Ouro”. Nele, Archie e seu gordo chefe Nero Wolfe tem de descobrir quem matou um mero limpador de janelas de farol, que aparentemente havia visto algo muito sério relacionado a um crime ocorrido logo antes.

A investigação leva Archie e seus colegas Saul, Fred e Orrie para o centro de um esquema de chantagem envolvendo imigrantes ilegais que testará as habilidades de todos eles.
Inteligente, divertido e de bom ritmo, o ‘filme’ (pois o episódio tem quase 1h40 de duração) é muito agradável de se ver – os atores estão claramente se divertindo, a ambientação dos anos 40 é um primor e as mulheres são fatais como deveriam ser.

Recomendado.

Livro x Filme

Após algumas tentativas fracassadas de adaptações para o cinema, o próprio autor dos livros desistiu de ver um dia seus personagens na tela grande.
Mas foi após sua morte que o que parecia impossível foi alcançado.
O resultado foi uma série decente, que se atém à ambientação dos livros e contou com a participação de atores muito talentosos.
Na minha opinião, é fácil ser Nero Wolfe. Seja gordo, prepotente, tenha presença e fale difícil e pronto, o personagem está feito.
Mas Archie Goodwin é outra história. É ele que segura as pontas em qualquer narrativa: ele é tudo o que Watson gostaria de ser, pois dá vida e graça a eventos que sempre são dos mais trágicos.
Timothy Hutton, felizmente, captou perfeitamente a personalidade de Archie, e sua atuação é essencial para fazer com que o filme funcione.
Quanto à história, é o sonho de qualquer adaptação: o roteiro foi totalmente colocado na tela, os cortes são poucos, os diálogos foram passados quase ao pé da letra sem perderem sua essência nem graça e o assassinato é resolvido quase cena a cena.

Uma das melhores adaptações de um livro que eu já vi.
Mas posso esperar para ver os outros episódios da série.

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