Livro: A Praia Mais Longínqua

E no mês de Janeiro o tema que escolhi foi dragões.

Então nada melhor do que pegar livros da autora que na minha opinião melhor pensou os dragões: Ursula Le Guin.
Esse livro é o terceiro da série Terramar e que por muitos anos foi o último. Depois disso ela escreveu mais um, Tehanu – do qual também espero falar nesse mês – e só muitos anos depois ela escreveu mais um livro e uma série de contos, mais aí vamos ver se eu vou ter tempo de ler.

Então temos a história. Arren, um jovem nobre do norte, vai até a capital dos bruxos em Terramar, a ilha de Roke, para pedir ajuda ao arquimago Gavião.
O problema é sério, pois aparentemente as pessoas que vivem nos confins de Terramar estão esquecendo a magia. Arren não é o primeiro a trazer tais notícias. A coisa é muito séria porque em Terramar as pessoas dependem da magia, e o fato de os magos estarem esquecendo as próprias palavras do idioma mágico demonstra que há algo muito ruim acontecendo.

Os magos de Roke acabam concordando que o único que pode resolver o problema é o próprio arquimago, primeiro porque ele é o mais viajado de todos e esteve nos confins de Terramar, e segundo porque ele é o único Senhor do Dragão ainda vivo.
Como criaturas feitas de magia, os dragões talvez possam dar informações essenciais para que o problema possa ser resolvido.

Gavião surpreendentemente resolve levar com ele o jovem Arren, que todos os magos concordam ter um destino grandioso à frente. Arren está mais do que impressionado com a figura do Arquimago, e concorda. O trajeto deles vai seguir pelo leste, adquirindo pistas sobre o desaparecimento da magia e ao mesmo tempo passando por várias “aventuras” que farão com que Arren amadureça. A trilha que seguem vai passar pela ilha natal de Arren, Narveduen, eventualmente levá-los até as ilhas conhecidas como The Dragon’s Run, onde o arquimago pode finalmente tentar conversar com um dragão.

Os primeiros livros de Terramar não são exatamente alegres (já que no primeiro, Gavião tem que destruir uma sombra maligna que pode acabar com o mundo ou morrer tentando, e no segundo Tenar é uma jovem que passou a vida inteira num cemitério), mas nesse a coisa fica ainda mais desanimadora. Não que o livro não seja bom. Muito pelo contrário. Gavião é um dos meus personagens favoritos no mundo inteiro, e nesse livro é o mais foda que ele já esteve. A jornada de amadurecimento de Arren é linda. Os dragões são fabulosos.
O problema é essa história de magia decadente. A autora cria cenas que são tocantes, desesperadoras e revoltantes, dependendo de onde os protagonistas estão. Afinal, se a magia é a força, a ética, a alma dos habitantes de Terramar, sem ela a coisa fica feia.

Enfim. O livro é excelente, mas definitivamente uma fantasia mais sombria, e de leitura mais desafiadora. Enquanto nos dois primeiros livros a jornada pessoal dos personagens era o foco, nesse livro a jornada de Arren fica em segundo plano (mesmo a história sendo contada do ponto de vista dele) pois o que está em jogo é o próprio mundo em que vivem.
A autora consegue criar uma ambientação impecável, personagens memoráveis e dragões perfeitos. É um livro pesado, apesar de curto, e eu definitivamente não gostei do final.
Mas é uma obra prima da literatura fantasiosa, e uma excelente leitura.
O único problema é que a tradução não foi feita para o português. Em Portugual existe (vide capa acima), então dá pra tentar isso, mas é uma pena. Espero que um dia alguma editora com cérebro resolva re-editar os dois primeiros da série e continuar até o final.


Título original: The Farthest Shore (1972)
De Ursula K. Le Guin
Ciclo Terramar Livro 3

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