Livro: A Mão Esquerda de Deus

É importante que eu diga que eu li esse livro no original.
Isso pra falar da minha principal objeção ao livro, que é a linguagem usada na narrativa. Eu sinceramente não tenho idéia se isso é visível na tradução.
O autor certamente é um narrador onisciente: Cale é o personagem principal, mas isso não impede o leitor de ter vislumbres das opiniões de outros personagens durante a narrativa. É quando o narrador não está falando do ponto de vista de personagem algum que a situação me incomoda: a linguagem é truncada, há muitas opiniões nos adjetivos e há momentos até mesmo em que a narrativa parece ser em primeira pessoa. Não me surpreenderia se ao final Cale fosse contador dessa história – o que não deixa de ser um spoiler.
Além disso, o narrador escolhe participar dos pensamentos de alguns personagens que pouco depois vão sumir da história, deixando uma sensação de pouca utilidade durante partes da narrativa.

A história é a de Cale, um garoto que desde cedo foi treinado por homens religiosos e violentos chamados Redentores, numa fortaleza imensa nos confins do mundo. Os Redentores estão em constante guerra contra inimigos religiosos que não aceitam o único e verdadeiro deus, e para essa guerra eles mantém o Santuário: um local com milhares de garotos como Cale, tirados de casa pequenos ainda e treinados sem descanso na arte da guerra. Cale e seus colegas são tratados à chibatadas e praticamente nenhuma comida, sob o pretexto de que são pecadores e precisam pagar por isso para que ganhem um local nos reino dos céus.
Mas logo vemos que Cale é especial: ele ganha atenção extra de um certo Redentor Bosco, apanha mais do que os outros e é obrigado a resolver exercícios de estratégia – apenas para ser castigado por terminá-los rápido ou devagar demais.
Um dia, quando Cale é enviado por Bosco para levar uma mensagem ao outro lado do castelo, Cale testemunha um ato horrendo, age sem pensar e agora só tem uma escolha – fugir da fortaleza ou ser descoberto (o que significa uma morte das mais terríveis).

Quando Cale e alguns amigos finalmente conseguem fugir do Santuário, não se sabe muito sobre o personagem principal: sua personalidade e suas habilidades serão descobertas na próxima parte do livro, em que os três aprendizes fugidos são resgatados por curiosos políticos na cidade mais próxima do Santuário. Lá, Cale demonstra sua capacidade incrível de matar pessoas (teoricamente devido a uma pancada que levou na cabeça quando menino), se apaixona pela filha do líder da cidade e consegue criar ainda mais problemas do que tinha antes.

O livro é muito envolvente, isso não posso negar. A ambientação – que pode muito bem ser a do nosso mundo medieval, com anti-redentores ao leste e uam enorme cidade dos orgulhosos Materazzi no centro do mundo – e os mistérios sugeridos; o ritmo do livro e a alteração entre a ingenuidade e violência dos personagens são de tirar o fôlego.

Cale pode não ser meu personagem favorito. Mas alguma coisa nesse livro me segurou do começo ao fim – e mal posso esperar por uma continuação. Violento, envolvente, interessante e sombrio, A Mão Esquerda de Deus certamente agradará aos fãs do terror tradicional e das aventuras fantasiosas mais chegadas ao lado negro…

2 ideias sobre “Livro: A Mão Esquerda de Deus

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