Livro: A Confissão do Irmão Haluin

O irmão Haluin entrou para o claustro bem jovem, aos 18 anos. Vinte anos depois, ele é um cara quieto, reservado e tímido, sempre penitente e devotado.

Sua principal atribuição no monastério é fazer iluminuras, pois suas mãos delicadas são especialistas em criar as figuras maravilhosas nas cópias dos textos sagrados.

Mas Haluin não quer escapar do trabalho braçal, e quando a neve começa a fazer com que o telhado da hospedaria da abadia comece a ceder, ele também sobe no telhado para arrumar as telhas.
Ocorre uma pequena avalanche e infelizmente Haluin é jogado do telhado, tendo seus pés esmagados pelas telhas.
Todos no monastério acreditam que ele vai morrer dos ferimentos, e o próprio abade vai até a cama do moribundo para ouvir sua confissão.

O irmão Cadfael, que foi o primeiro a receber o irmão Haluin na abadia, anos antes, está presente durante a confissão tanto por ser o responsável pela administração de remédios a base de ervas, quanto por solicitação do próprio Haluin.

A confissão do homem é dolorida e polêmica. Após fazê-la, e após ser absolvido pelo abade, Haluin relaxa e volta a dormir, e todos têm certeza de que Haluin morrerá dentro de dias.

Só que isso não acontece, e aos poucos Haluin vai se recuperando – agora com um único pensamento obsessivo na cabeça: ele quer voltar para o local do crime que ele cometeu em sua juventude para pedir perdão àqueles afetados na época.

Pois a terrível confissão de Haluin é a de que ele foi para o claustro aos dezoito anos para fugir de um amor proibido com a filha de um senhor de terras; que a menina havia engravidado e que Haluin, no desespero, havia roubado ervas abortivas do estoque do irmão Cadfael e que tanto a garota quanto o bebê haviam morrido em decorrência do veneno.

Haluin quer a permissão do Abade para fazer uma peregrinação até as terras da mãe da garota para pedir perdão pelos seus atos – apesar de não ser longe, os pés de Haluin foram destruídos pelas telhas, lembram-se, então qualquer passo é uma agonia.
Para acompanhá-lo, ninguém melhor do que Cadfael, que já esteve no mundo como cruzado e marinheiro antes do claustro e é a única pessoa além do abade a saber da terrível confissão do colega.

Mas a peregrinação de Haluin leva a uma volta ao passado que nem todas as pessoas envolvidas desejava, muito menos a mãe da garota, que hoje vive sozinha na mansão da família.

Esse romance policial medieval é interessante especialmente pela forma como o problema é colocado frente ao leitor: a princípio, temos apenas a confissão do homem ferido, que leva a um evento no passado que já foi encerrado e com pouca relação com o presente.

As conicidências durante a história acontecem, claro, mas não são tão abismais a ponto de estragarem tudo. O mistério vai se revelando e me deixou interessada até o final, mesmo que eu descobrisse logo como tudo ia terminar.
Haluin é um personagem interessante, pois não é estereótipo do jovem espantado que geralmente acompanha Cadfael: é um personagem mais multi-facetado e com uma certa complexidade – especialmente considerando o tipo de profundidade que acaba acontecendo nesses livros.

De qualquer forma, uma excelente leitura e um policial mais do que recomendado.

Título original: The Confession of Brother Haluin (1988)
De Ellis Peters (Reino Unido)
Crônicas do Irmão Cadfael Livro 15

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *