Livro: A Bússola de Ouro

Ai, como é bom ler livro bom!
Com personagens carismáticos e complexos, e ao mesmo tempo realistas.
Com tramas interessantes e inteligentes, sem furos e sem soluções fáceis.
Com mundos fascinantes e bem delineados, onde as coisas acontecem de forma fantástica mas dentro da realidade do mundo.

Aparentemente, não é tão fácil escrever um bom livro de fantasia.
Philip Pullman dá uma aula com esse livro.

Lyra é uma garota que vive na faculdade de Jordan, em Oxford. Criada entre servos e catedráticos, ela não tem certeza do seu lugar no mundo mas não está muito preocupada com isso: ela e seu daemon Pantalaimon vivem se divertindo sobre os telhados da antiquíssima universidade ou criando guerras com as crianças de rua e os filhos dos gípcios.

Ela tem um tio importante e aventureiro, que ocasionalmente vem à Jordan com notícias fascinantes e um melhor amigo, Roger, ajudante de cozinha, com quem explora os confins mais remotos e misteriosos da universidade.

Quando Roger some, Lyra resolve ir atrás dele, mas a charmosa Sra. Coulter faz com que ela se esqueça por um momento do que deve fazer.
Em sua busca por aventuras – e pelo seu amigo Roger – Lyra e Pantalaimon passam por poucas e boas, sempre ajudados por gípcios, por Lee Scoresby, um aeronauta texano, por Iorek Byrnison, um urso de armadura, e pelas bruxas da tundra, lideradas pela bela Serafina Pekkala.

As coisas no Norte não poderiam estar mais confusas: crianças são raptadas e levadas para lá, as bruxas se organizam para a guerra, os tártaros estão reunindo seus exércitos e os ursos de armadura estão decidindo a quem se aliar. No meio de tudo isso, Lyra tem certeza de que está Roger, e ela não hesita em cruzar o mundo para encontrá-lo.

Lyra é uma personagem fascinante. Por ter duas faces – a corajosa Lyra, o cauteloso Pantalaimon – nos esquecemos de que ela é uma pessoa só: no mundo criado pelo autor, todos os humanos possuem daemons, que são como representações da pessoa em forma de animal. Esses daemons podem ser considerados almas, e são parte importante da trama.
A Sra. Coulter e Lord Asriel, o tio aventureiro de Lyra, são os adultos que realmente fazem as coisas – como boa criança que é, Lyra cativa e foge, e é capturada pelos personagens mais improváveis, mas não muda o mundo. Esse trabalho é dos adultos, e ela  nem mesmo entende direito o que está acontecendo. Mas e que adultos que a rodeiam! Lord Asriel e Sra. Coulter são cheios de sabedoria, inteligência e astúcia para ganharem favores e fortuna num mundo cada vez mais controlado por uma igreja inquisitorial.
Farder Coram, Lee Scoresby, John Faa e, por que não, Serafina Pekkala e Iorek Byrnison podem não saber exatamente qual o destino de Lyra, mas não hesitam em ajudá-la e apostar suas fichas na garota.

Eu acho que já falei de tudo de bom que esse livro tem, mas nunca vou conseguir passar a real fascinação que ele provoca. Os personagens, o mundo, a história… tudo é perfeito. É um dos melhores livros de fantasia do universo (sacaram a piada) que só perde quando é considerado como trilogia. Depois falo com detalhes, mas infelizmente o autor não conseguiu manter a qualidade.

Mas não se importem. O negócio é apreciar essa pequena obra prima da literatura fantasiosa e curtir suas qualidades. Porque o livro é tão bom!

Informações técnicas: The Golden Compass (1995) de Philip Pullman. Série Fronteiras do Universo Livro 1

3 ideias sobre “Livro: A Bússola de Ouro

  1. Oi, Sandro.
    Obrigada pelo comentário!
    O livro tem um fim mais desenvolvido que o filme, mas como ele é o primeiro de uma trilogia, a história continua nos próximos volumes: A Faca Sutil e a Luneta Âmbar, que não resenhei ainda no blog.
    No filme, eles “pararam” a história um pouco antes do final do livro para deixar o final menos tenso, mas como o filme não foi bem nas bilheterias acabou que não fizeram a adaptação dos dois outros livros.

    Espero ter ajudado!
    Beijos!

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